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Radar PNCP: o que é, para quem serve e como é apurado

O relatório, quem se beneficia dele, e o método por trás dos números
22 de setembro de 2026 por
Radar PNCP: o que é, para quem serve e como é apurado
Jubilato Seguros

Toda empresa que vende para o setor público já fez esta pergunta de alguma forma: onde a garantia vai ser exigida de verdade?

A resposta não está em nenhum campo de banco de dados. Exigência de garantia é uma cláusula escrita em português, dentro de um PDF, de um jeito diferente em cada órgão do país. Para saber se ela está lá, alguém precisa abrir o documento e ler.

O Radar PNCP é isso, feito em escala. Nós baixamos os documentos dos contratos públicos assim que eles são publicados, lemos o texto de cada um e marcamos onde há exigência de garantia. Depois publicamos o resultado agregado, de graça, com o método aberto.

Esta página explica o que o Radar é, para quem ele serve e como ele é apurado. A parte técnica está toda aqui embaixo, mas ela vem depois do que interessa primeiro: o que você pode fazer com isso.

Resposta rápida

  • O que é: um relatório recorrente que mostra, com dados públicos, em que tipo de contrato a exigência de garantia aparece e em que proporção.
  • De onde vem: do Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), base aberta, mais a leitura do texto dos documentos anexos a cada contrato.
  • Por que é diferente: o PNCP não tem um campo "exige garantia". Essa informação só existe dentro do documento, e quase ninguém a lê em escala.
  • O número é um piso. Ele conta exigências identificadas, não exigências existentes.
  • É de graça e pode ser citado. Pedimos apenas que a formulação seja "contratos em que a Jubilato identificou exigência de garantia".

Para quem isso serve

Para a empresa que disputa licitação. Saber que obras têm 27% de incidência e compras têm 0,5% muda onde você procura contrato e quando começa a preparar a documentação da garantia. Quem descobre a exigência na assinatura perde prazo; quem sabe antes de propor, não.

Para o gestor público. O Radar mostra como órgãos semelhantes ao seu tratam a exigência de garantia por categoria e por faixa de valor. É referência externa para justificar, no processo, por que se exigiu 5% ou 10%.

Para imprensa, pesquisa e mercado segurador. É a única série pública que mede incidência de exigência de garantia por leitura de documento, e não por estimativa. Os números agregados são livres para citação, e atendemos pedidos de recorte específico.

Para quem vende seguro garantia. Inclusive para nossos concorrentes, e isso é proposital. Um mercado que discute números reais é melhor para todo mundo do que um mercado que repete estimativa sem fonte.

O que já foi publicado

EdiçãoJanelaUniversoO que ela trouxe
1ª edição01/12/2025 a 31/08/20261.528.638 contratosa distribuição por categoria e por faixa de valor
2ª edição01/12/2025 a 30/09/20261.694.844 contratoscobertura de leitura medida mês a mês, e taxas revistas para cima

A intenção é publicar a cada trimestre, com uma edição de fechamento anual.

De onde vêm os dados

O PNCP é o sítio oficial de divulgação obrigatória dos atos previstos na Lei 14.133/2021 (art. 174). Contratos, editais e documentos anexos são públicos e acessíveis sem cadastro.

O Radar usa duas camadas dessa base:

  1. O registro estruturado do contrato, de onde vêm órgão, esfera, unidade da federação, categoria do processo, valor e datas.
  2. O texto dos documentos anexos ao contrato, de onde vem a única informação que o registro estruturado não traz: se há ou não exigência de garantia.

A segunda camada é a razão de este relatório existir. Exigência de garantia não é campo de banco de dados no PNCP, é cláusula redigida em português dentro de um PDF, de forma diferente por cada órgão do país.

Unidade de análise: contrato, não edital

O Radar conta contratos assinados e publicados, não editais.

A escolha não é de conveniência. A exigência de garantia aparece com precisão no documento contratual, onde a cláusula já está redigida em definitivo. No edital ela pode estar em anexo, em minuta, ou remetida a norma interna do órgão.

A consequência a considerar ao ler os números: um edital que exigiu garantia e não virou contrato dentro da janela não entra na contagem.

Janela e universo

1ª edição2ª edição
Período de publicação01/12/2025 a 31/08/202601/12/2025 a 30/09/2026
Meses cheios910
Contratos no universo1.528.6381.694.844
Documentos anexos1.385.2271.580.686
Documentos obtidos99,99%99,99%
Contratos com exigência identificada25.63828.520

A janela começa em dezembro de 2025 porque a indexação começou em 18 de novembro de 2025, e novembro seria um mês parcial.

Meses parciais são excluídos por princípio. Comparar um mês completo com um mês em andamento produz queda artificial, e é um dos erros mais comuns em relatório de dados.

Como a exigência é identificada

Cada documento anexo ao contrato é baixado assim que publicado e tem o texto lido. O sistema registra três coisas: se o documento foi obtido, se foi lido, e qual critério sustentou a conclusão.

Três decisões de método importam para a qualidade do resultado.

Repetição no download. Falha de rede ou indisponibilidade momentânea do PNCP gera nova tentativa. Sem isso, a cobertura cairia de forma silenciosa e enviesada, porque documentos maiores falham mais.

Rejeição explícita de falso positivo. O exemplo que mais aparece é "Garantia do Tempo de Serviço", que é FGTS, está em quase todo contrato de serviço e não é garantia contratual. Contá-la inflaria a incidência em ordens de grandeza. Quando o sistema encontra apenas essa expressão, registra a rejeição.

Registro do critério, não só do resultado. Cada marcação guarda o motivo. Isso permite revisar decisões meses depois e é o que torna o relatório conferível.

O que não publicamos: a lista de indicadores e a lógica de decisão. É ativo de negócio. O que publicamos é o recorte, o universo, a cobertura e as limitações, que é o necessário para julgar o número.

Cobertura: a lição que a 2ª edição trouxe

Esta seção nasceu de um erro nosso, e ela mudou como o Radar trata o tempo.

Ao preparar a segunda edição, medimos pela primeira vez quantos contratos tiveram todos os seus documentos lidos, mês a mês. A resposta: 60,7% em dezembro de 2025, subindo até 99,8% de junho a setembro de 2026. O pipeline lê os documentos conforme eles são publicados, e o estoque anterior nunca foi reprocessado por inteiro.

Isso impõe uma regra que agora vale para todas as edições: meses com cobertura diferente não podem ser comparados entre si. Um mês lido pela metade não gera uma taxa menor por acaso nem maior por acaso; gera uma taxa cujo viés ninguém mediu.

Por isso a 2ª edição restringe toda afirmação sobre variação no tempo aos meses de junho a setembro de 2026, e por isso ela não afirma crescimento, embora fosse comercialmente conveniente afirmar.

O que os números não afirmam

Esta é a seção mais importante da página.

Não é a taxa de exigência do mercado, é a taxa identificada. Cláusula redigida de forma atípica pode não ser reconhecida. Portanto a incidência real é igual ou maior que a informada. Todo número do Radar é piso, nunca teto. A 2ª edição confirmou isso por medição: com cobertura de leitura praticamente total, as taxas subiram em relação à 1ª edição.

Não é auditoria jurídica. A leitura identifica a presença de exigência de garantia contratual. Não classifica modalidade, não extrai percentual e não avalia se a exigência é legal naquele caso.

Não mede o mercado de seguro garantia. Mede a exigência nos contratos públicos. Parte dessa exigência é atendida por caução, fiança bancária ou título de capitalização, que são as outras modalidades do art. 96, § 1º da Lei 14.133/2021.

A série temporal ainda é curta. Só quatro meses têm cobertura equivalente. A comparação ano contra ano entra na edição de dezembro de 2026.

Um corte foi deixado de fora de propósito. A distribuição por unidade da federação apresentou amplitude de treze vezes entre o maior e o menor estado. Não conseguimos separar diferença real de perfil de contratação de diferença de formato de documento, e publicar isso agora seria vender ruído como achado.

A precisão da marcação ainda não foi medida por amostragem. Sabemos quanto foi lido; o que ainda não medimos é quanto do que foi marcado está correto. É o próximo item da fila, e o registro do critério de cada decisão torna essa auditoria barata.

Valores extremos foram excluídos. Doze registros com valor global acima de R$ 100 bilhões, inconsistentes na origem, ficaram fora dos cortes por faixa de valor. O maior deles registrava R$ 2,37 trilhões num contrato de credenciamento de profissionais de saúde.

Como citar

Radar PNCP, Jubilato Seguros. Apuração sobre 1.694.844 contratos publicados no Portal Nacional de Contratações Públicas entre 01/12/2025 e 30/09/2026.

Se você precisa de um recorte específico, por órgão, por atividade econômica ou por região, fale com a gente. Pedidos de imprensa e de pesquisa são atendidos.

Perguntas frequentes

Não. A leitura prática é simples: o relatório mostra em que tipo de contrato a garantia costuma ser exigida e em que proporção. Se você disputa obras acima de R$ 1 milhão, a exigência é o cenário provável e vale se preparar antes. Se vende material de escritório, é exceção.

Sim. O PNCP é de divulgação obrigatória e o acesso não exige cadastro nem chave. O que não é aberto é a leitura do conteúdo dos documentos em escala, que é o trabalho que o Radar acrescenta.

Porque no contrato a cláusula está em sua forma definitiva. No edital ela pode estar em minuta ou remetida a norma interna, o que introduz ambiguidade justamente no ponto que o relatório mede.

Os números agregados de cada edição são públicos no próprio relatório e podem ser citados. A base de marcação e o método de identificação não são abertos.

A intenção é trimestral, com uma edição de fechamento anual. A periodicidade só se firma depois de algumas edições, e preferimos prometer menos do que entregar atrasado.

Cada edição traz a data de extração. Quando um número de edição anterior for corrigido, a correção aparece na edição nova e nesta página, com o motivo. Já aconteceu: as taxas por categoria da 1ª edição foram revistas para cima na 2ª, por aumento de cobertura de leitura.

Pode. Atendemos pedidos de imprensa, de pesquisa e de empresas que querem o recorte do próprio setor. O que não fazemos é publicar corte que ainda não sabemos explicar, como o de unidade da federação.

Ler as edições

A 2ª edição, mais recente, está em Radar PNCP, 2ª edição: onde a garantia é exigida, com cobertura cheia.

A 1ª edição está em Radar PNCP: onde a exigência de garantia realmente está.

A Jubilato Seguros é corretora de seguros registrada na SUSEP sob o nº 202077830, não seguradora. Os dados do Radar PNCP são apurados sobre base pública e refletem leitura automatizada de documentos; a incidência informada é um piso. Este conteúdo é informativo e não constitui cotação nem parecer jurídico.

Garantias na Lei 14.133: o que o edital pode exigir