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Radar PNCP, 2ª edição: onde a garantia é exigida, com cobertura cheia

1,69 milhão de contratos lidos, e por que ainda não falamos em crescimento
2 de outubro de 2026 por
Radar PNCP, 2ª edição: onde a garantia é exigida, com cobertura cheia
Jubilato Seguros

A segunda edição do Radar PNCP cobre 1.694.844 contratos publicados entre 1º de dezembro de 2025 e 30 de setembro de 2026, e 1,58 milhão de documentos anexos, dos quais 99,99% foram baixados e lidos.

Ela traz três coisas: uma confirmação, uma correção para cima e uma recusa.

A confirmação é que a exigência de garantia se distribui exatamente como a lei faz prever: concentrada em obras e crescendo com o valor do contrato.

A correção para cima é que, nos meses em que a leitura dos documentos está completa, as taxas são maiores do que as publicadas na primeira edição. Obras sai de 24,43% para 27,35%.

A recusa é a mais importante. Esta edição não afirma que a exigência de garantia está crescendo, e explica por quê.

Resposta rápida

  • Universo: 1.694.844 contratos em dez meses. Em 28.520 identificamos exigência de garantia, ou 1,68%.
  • Entre junho e setembro de 2026, quando 99,8% dos contratos tiveram todos os seus documentos lidos, a taxa fica em 1,79%, 1,65%, 1,67% e 1,69%. É estável, e quatro meses não sustentam afirmação de tendência.
  • Por categoria, com cobertura cheia: Obras 27,35%, Serviços de Engenharia 21,09%, Mão de Obra 7,76%, TIC 5,42%, Serviços 2,34%, Compras 0,53%. Obras tem 52 vezes a taxa de Compras.
  • Por valor: 0,58% até R$ 100 mil, 24,17% entre R$ 10 milhões e R$ 100 milhões, e queda para 15,64% acima de R$ 100 milhões.
  • O número é um piso. Cláusula escrita de forma atípica pode não ser reconhecida pela leitura.

A descoberta que mudou esta edição

Ao preparar a segunda edição, medimos uma coisa que a primeira não media: quantos contratos tiveram todos os seus documentos efetivamente lidos, mês a mês.

O resultado foi desconfortável e útil:

Cobertura de leitura e taxa de exigência identificada, mês a mês
Contratos publicados no PNCP entre 01/12/2025 e 30/09/2026. Apuração Jubilato Seguros, extração de 02/10/2026.
MêsContratosCom todos os documentos lidosCobertura
dez/2025162.98698.90560,7%
jan/2026143.22199.33369,4%
fev/2026145.283101.00069,5%
mar/2026203.786141.56769,5%
abr/2026179.715129.30872,0%
mai/2026163.954145.78788,9%
jun/2026171.301170.87699,8%
jul/2026177.578177.14099,8%
ago/2026180.814180.43799,8%
set/2026166.206165.65899,7%

A cobertura não é uniforme ao longo da janela. Ela é praticamente total a partir de junho e parcial antes disso, porque o pipeline lê os documentos conforme eles são publicados e o estoque anterior nunca foi reprocessado por inteiro.

Isso tem uma consequência direta, e ela vale mais do que qualquer gráfico: meses com cobertura diferente não podem ser comparados entre si. Um mês lido pela metade não produz uma taxa menor por acaso nem maior por acaso; produz uma taxa cujo viés ninguém mediu.

Por isso, nesta edição, toda afirmação sobre o tempo usa apenas junho a setembro de 2026.

A série mensal, no único recorte comparável

MêsContratos com leitura completaCom exigência identificadaTaxa
jun/2026170.8763.0521,79%
jul/2026177.1402.9271,65%
ago/2026180.4373.0181,67%
set/2026165.6582.8021,69%

A taxa varia 0,14 ponto percentual entre o maior e o menor valor. Isso é estabilidade, não tendência.

O que isso significa na prática: se alguém perguntar se a exigência de seguro garantia está crescendo no setor público, a resposta honesta com esta base é "ainda não dá para dizer". Quatro meses estáveis não são crescimento nem queda.

Quando daremos a resposta. A comparação ano contra ano exige dezembro de 2026, quando teremos dezembro de 2025 e dezembro de 2026 com cobertura comparável. É a terceira edição do Radar que poderá responder isso, e vamos responder com o mesmo critério, mesmo que o número contrarie o interesse comercial de quem publica.

Onde a exigência aparece, com cobertura cheia

Este é o coração do Radar, e os números abaixo usam junho a setembro de 2026, com 99,8% dos contratos integralmente lidos.

Categoria do processoContratosCom exigência identificadaTaxa
Obras10.5482.88527,35%
Serviços de Engenharia8.4821.78921,09%
Mão de Obra2.6022027,76%
Informática (TIC)4.0032175,42%
Serviços169.3203.9692,34%
Cessão3.275682,08%
Serviços de Saúde8.139971,19%
Compras481.8382.5480,53%
Locação de imóveis4.362140,32%
Alienação de bens3.21180,25%

Três leituras.

A ordem é a mesma da primeira edição. Obras no topo, Compras no fundo, com Engenharia logo atrás de Obras. Um erro de leitura não produziria o mesmo ordenamento duas vezes, em janelas diferentes.

Os níveis subiram. Obras foi de 24,43% para 27,35%, Engenharia de 17,34% para 21,09%. A diferença é cobertura, não comportamento: quando todos os documentos são lidos, encontra-se mais. Isso confirma, por medição, que os números da primeira edição eram piso.

A distância é brutal. Obras tem 52 vezes a taxa de Compras. É o que os arts. 98 e 99 da Lei 14.133 fazem prever, e é por isso que tratar "o mercado de seguro garantia" como um bloco único não ajuda ninguém a planejar.

Por faixa de valor, e a queda no topo

Faixa de valor inicialContratosCom exigência identificadaTaxa
até R$ 100 mil594.0203.4750,58%
R$ 100 mil a R$ 1 milhão77.9294.2375,44%
R$ 1 milhão a R$ 10 milhões20.7303.33516,09%
R$ 10 milhões a R$ 100 milhões2.91370424,17%
acima de R$ 100 milhões3074815,64%

A subida é monotônica até R$ 100 milhões e depois cai. A queda se repetiu nas duas edições e agora acontece com cobertura praticamente total, então não é falha de leitura.

Nossa hipótese continua a mesma: acima de R$ 100 milhões a base mistura regimes contratuais diferentes, e o patamar de grande vulto, que em 2026 está em R$ 261.968.421,04, fica acima dessa faixa. O que a cláusula de retomada do art. 102 obriga a seguradora a fazer está em cláusula de retomada.

É hipótese, não conclusão. Testá-la é tarefa da terceira edição.

O que o Radar não afirma

Repetimos esta seção em toda edição, de propósito.

Não afirma crescimento. Com quatro meses comparáveis, a série é estável. Qualquer afirmação de tendência seria ruído vendido como notícia.

Não é percentual do mercado de seguro garantia. O Radar mede a incidência da exigência em contratos públicos, não prêmio emitido, não apólices, não participação de mercado.

O número é um piso. A exigência é identificada pela leitura do texto de cada documento. Cláusula atípica pode escapar, então a incidência real é igual ou maior.

O corte por unidade da federação continua fora. A amplitude entre estados chega a 13 vezes e segue sem explicação. Não publicamos o que não conseguimos explicar.

A precisão da marcação ainda não foi medida por amostragem. Sabemos que a cobertura é praticamente total de junho em diante; o que ainda não medimos é quanto do que foi marcado está correto. É o próximo item da fila, e o critério de cada decisão fica registrado, o que torna essa auditoria barata.

Como este número foi apurado

Base: Portal Nacional de Contratações Públicas, contratos publicados entre 01/12/2025 e 30/09/2026, extraídos em 02/10/2026. Universo de 1.694.844 contratos e 1,58 milhão de documentos anexos, dos quais 99,99% foram baixados e lidos.

A exigência de garantia é identificada pela leitura do texto de cada documento, com registro do critério que sustentou cada marcação. Afirmações sobre variação no tempo usam apenas junho a setembro de 2026, única faixa com cobertura de leitura equivalente.

A metodologia completa, com o que entra e o que fica de fora, está em como lemos os editais e contratos do PNCP.

Perguntas frequentes

Porque a maior parte do volume de contratos públicos é de compras de baixo valor, onde a garantia raramente é exigida. Em obras, a taxa é de 27,35%. O Radar é sobre a distribuição, não sobre a média.

Com esta base, ainda não dá para dizer. Os quatro meses que podem ser comparados entre si (junho a setembro de 2026) ficam entre 1,65% e 1,79%. A resposta ano contra ano virá na edição de dezembro de 2026.

Porque a cobertura de leitura subiu. Nos meses em que todos os documentos foram lidos, encontra-se mais exigência. Isso confirma que os números anteriores eram piso, e não que o comportamento dos órgãos mudou.

Ainda não sabemos. A queda se repetiu nas duas edições e agora ocorre com cobertura praticamente total, então não é falha de leitura. A hipótese é mistura de regimes contratuais nessa faixa, e ela será testada.

Do PNCP, que é público. O que não é público é a leitura: abrimos e lemos 1,58 milhão de documentos anexos para identificar a exigência, documento por documento.

Pode, e agradecemos a referência a esta página. Use a formulação "contratos em que a Jubilato identificou exigência de garantia", que é o que de fato foi medido.

O que fazer com isso

Se você vende para o setor público, duas decisões saem direto desta tabela.

Onde procurar contrato que vai exigir garantia: obras e serviços de engenharia, acima de R$ 1 milhão. É onde mais de um em cada cinco contratos traz a exigência.

Quando se preparar: antes da homologação, porque a janela do art. 96, § 3º é de um mês entre a homologação e a assinatura. O que cabe nela está em prazo de emissão do seguro garantia, e o regime completo em garantia de execução.

Para receber o recorte do Radar da sua área de atuação, fale com a Jubilato Seguros.

A Jubilato Seguros é corretora de seguros registrada na SUSEP sob o nº 202077830, não seguradora. O Radar PNCP é apuração própria sobre dados públicos do Portal Nacional de Contratações Públicas e não constitui cotação, recomendação ou parecer. Os números expressam exigência de garantia identificada por leitura de documento, e são um piso.

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